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Especial · Eleições 2026

Flávio Bolsonaro:
o que está em jogo

O fim da escala 6×1, o Pix, o dinheiro do Banco Master e as relações com a milícia do Rio. Reunimos o que reportagens, entidades e documentos oficiais registram sobre o candidato, com a situação de cada caso e as fontes numeradas.

Atualizado em 8 out 2026 · 34 fontes

Ilustração de Flávio Bolsonaro com uma tarja vermelha sobre os olhos

Aviso. Esta página reúne informações públicas publicadas pela imprensa, por entidades e em documentos oficiais. Uma conexão citada aqui não indica culpa. Flávio Bolsonaro é investigado no STF no caso do financiamento do filme Dark Horse.

Trabalho

Contra o fim da 6×1, uma regra que tende a reduzir salários

A Câmara aprovou o fim da escala 6×1 e o texto está no Senado. Flávio defende outra proposta, que troca a redução da jornada sem corte de salário por acordos individuais com pagamento proporcional às horas.

Declaração pública

O que Flávio disse

Em 6 de outubro de 2026, perguntado sobre o projeto que garante dois dias de folga por semana, Flávio disse ter “uma proposta infinitamente melhor”: deixar o trabalhador escolher a própria carga horária.[1]

Fato documentado

A proposta: PEC 12/2026

A proposta é a PEC 12/2026, apresentada em maio pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio. Ela permite flexibilizar a jornada por acordo individual entre empresa e empregado, sem negociação coletiva com o sindicato, e prevê remuneração proporcional às horas trabalhadas.[1]

Fato documentado

A diferença para o projeto do Senado

O projeto em discussão no Senado reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, limita o trabalho a cinco dias por semana e proíbe corte de salário. Na proposta defendida por Flávio, trabalhar menos horas significa receber menos, com reflexo em férias, 13º salário e FGTS.[1]

Análise / opinião

O que dizem especialistas

Advogados trabalhistas ouvidos pelo Intercept afirmam que a proposta transfere ao trabalhador o risco do negócio e permite converter contratos atuais em contratos por hora. Uma nota técnica do escritório LBS conclui que o texto mantém a escala 6×1 e a jornada de 44 horas, reduz salários e pode levar o trabalhador a receber menos que o salário mínimo no mês.[1]

Fato documentado

Contratos com menos encargos para jovens e 50+

O programa de governo entregue ao TSE prevê um contrato de primeiro emprego para jovens de 18 a 24 anos com menor custo na folha. O Intercept aponta a semelhança com a Carteira Verde e Amarela, medida de 2019 do governo Jair Bolsonaro que reduzia FGTS e contribuições e foi revogada, e registra que Flávio também quer estender o modelo a desempregados com mais de 50 anos.[1]

Economia

O risco ao Pix

O Pix é alvo de queixas do governo Trump. A CUT avalia que o alinhamento oferecido por Flávio aos Estados Unidos põe em risco o Pix gratuito. Flávio nega que vá acabar com o sistema.

Segundo a fonte

A carta a Marco Rubio

Segundo a CUT, Flávio se encontrou com Donald Trump em Washington em 27 de maio de 2026 e, em 2 de junho, enviou carta ao secretário de Estado Marco Rubio pedindo o fim do tarifaço. Em troca, teria oferecido maior alinhamento aos EUA, possível saída do Brics, flexibilização do Mercosul, parceria em minerais críticos e menor dependência da China, além de pôr sua equipe de transição à disposição do governo americano. A CUT não publica a íntegra da carta.[2]

Segundo a fonte

Pagamentos eletrônicos na lista de Rubio

Ainda segundo a CUT, Rubio respondeu agradecendo a oferta e, em 23 de junho, listou as divergências dos EUA com o Brasil. Entre elas estão comércio digital e pagamentos eletrônicos, ou seja, o Pix.[2]

Segundo a fonte

“O Pix dos Estados Unidos é o Zelle”

Em maio, em entrevista à rádio TMC, Eduardo Bolsonaro comparou o Pix ao Zelle, serviço americano que, diferentemente do Pix, é pago. Depois da repercussão, ele negou a declaração, segundo a CUT.[2]

Análise / opinião

A avaliação da CUT

Para a CUT, se Flávio vencer e adotar um modelo que privilegie os interesses americanos, o Pix pode passar a ser cobrado ou limitado, para compensar perdas de empresas de cartão de crédito dos EUA. É uma projeção da entidade, não uma medida anunciada.[2]

Banco Master e Dark Horse

Flávio e Daniel Vorcaro

Flávio pediu ao então dono do Banco Master dinheiro para o filme sobre Jair Bolsonaro. O banco foi liquidado, Vorcaro foi preso e, desde julho de 2026, Flávio é investigado no STF por suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.

R$ 131 mi

pedidos a Vorcaro para o filme, segundo a PF[3][5]

R$ 61 mi

teriam sido pagos em 2025[3][5]

US$ 12,3 mi

em remessas ao fundo Havengate, nos EUA[17][3]

110

registros de contato em 11 meses no celular de Vorcaro[6]

Investigado

O pedido e a investigação

Em 13 de maio de 2026, o Intercept Brasil publicou mensagens, documentos e áudios de Flávio negociando R$ 134 milhões com Vorcaro e cobrando parcelas atrasadas do filme Dark Horse. Em 22 de julho, o ministro André Mendonça incluiu Flávio como investigado no inquérito do caso Master. Com a retirada do sigilo, em setembro, a PF passou a descrevê-lo como interlocutor direto de Vorcaro nas negociações.[7][4][5]

Investigado

O caminho do dinheiro: fundo Havengate

Os recursos saíram da Entre Investimentos para o Havengate Development Fund, registrado no Texas. A PF identificou ao menos sete remessas e afirma que o fundo estava inativo havia quase quatro anos antes da primeira, em fevereiro de 2025. Segundo o Intercept, o fundo é gerido por Paulo Calixto, advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro. A PF quer esclarecer origem, trajeto e beneficiários finais, inclusive se parte do dinheiro serviu a Eduardo nos EUA.[17][18][5]

Segundo a fonte

A empresa dos repasses e o crime organizado

Em 24 de setembro de 2026, a Entre Investimentos foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. No mesmo dia, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que “tudo indica” que o dinheiro do filme saiu do mesmo caixa que reunia recursos do PCC. Flávio não foi alvo dessa operação.[16][3]

Associação indireta

Operação Make Up

Em setembro de 2026, a PF deflagrou a Operação Make Up, com alvos ligados à produtora do filme e ao deputado Mário Frias. A investigação alcança também emendas parlamentares e empresas ligadas a um contrato da Prefeitura de São Paulo.[20][23]

Investigado

Atuação no Senado sob análise

No parecer que apoiou a investigação, a PGR sugeriu verificar se projetos apresentados ou apoiados por Flávio e por Mário Frias no Congresso poderiam ter beneficiado o Banco Master ou Vorcaro. Não há notícia do resultado desse levantamento.[15]

Segundo a fonte

As versões de Flávio

Segundo a agência de checagem Aos Fatos, Flávio passou do desconhecimento à negação e depois à admissão do contato com Vorcaro. A agência contabilizou ao menos 43 declarações falsas dele sobre essa relação em seis meses.[12][11]

Linha do tempo
  1. Primeiro contato registrado no celular de Vorcaro: uma ligação de Flávio. No mesmo dia são gerados o plano de negócios e a minuta do contrato do filme, de US$ 25 milhões, segundo a piauí.[6]

  2. Flávio e a família voam dos EUA a Brasília em um jato do qual Vorcaro era um dos cotistas, segundo a piauí.[14]

  3. Primeira remessa, de US$ 2 milhões, ao fundo Havengate. Até maio, os pagamentos somam cerca de R$ 61 milhões.[5]

  4. Em áudio e mensagem a Vorcaro, Flávio reclama de parcelas atrasadas do filme.[5]

  5. Flávio volta a cobrar e diz que a produção está “no limite”; Vorcaro responde que vai resolver.[6]

  6. Na véspera da prisão do banqueiro, depois de ligações não atendidas, Flávio escreve: “Irmão, estou e estarei contigo sempre”.[5][21]

  7. Vorcaro é preso no aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para o exterior. No dia seguinte, o Banco Central liquida o Banco Master.[10]

  8. À Folha, Flávio diz que nunca teve contato com Vorcaro.[11]

  9. De manhã, Flávio chama de mentira o financiamento do filme por Vorcaro. Horas depois, o Intercept publica os áudios e mensagens, e ele admite: “Era um filho procurando patrocínio”.[8][7][9]

  10. André Mendonça, do STF, inclui Flávio como investigado.[4]

  11. No Jornal Nacional, Flávio diz que só tratava do filme com Vorcaro. A Aos Fatos classifica a frase como falsa.[13]

  12. Mais de cem dias depois de Flávio prometer apresentar o orçamento do filme, o documento ainda não tinha vindo a público, segundo o Intercept.[19]

  13. O STF retira o sigilo. A PF aponta cobranças de pagamentos feitas por Flávio.[5]

  14. O diretor do filme diz que o orçamento de US$ 24 milhões está “ridiculamente inflado” e depois apaga a publicação.[22]

  15. A piauí publica o chat extraído pela PF: 50 mensagens de Flávio, 46 de Vorcaro e 14 ligações. Não há registros entre dezembro de 2024 e agosto de 2025, período dos depósitos.[6]

Rio de Janeiro

Milícia, rachadinha e o entorno

Homenagens, cargos no gabinete e emendas ligam o histórico político de Flávio a milicianos e a investigados. Em nenhum desses casos há condenação contra ele; a situação de cada item está indicada.

Arquivado / anulado

Rachadinha e Fabrício Queiroz

Relatórios do Coaf apontaram movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz, assessor de Flávio na Alerj, e 48 depósitos em dinheiro de R$ 2 mil na conta do próprio Flávio em cinco dias de 2017. Em 2020, o MP-RJ denunciou Flávio, Queiroz e outras 15 pessoas por organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. Em 2021, STJ e STF anularam as provas por causa do foro; em 2022 o caso foi arquivado, sem julgamento do mérito.[24][25][3]

Fato documentado

Queiroz preso na casa do advogado

Em junho de 2020, Queiroz foi preso em Atibaia (SP), em um imóvel de Frederick Wassef, então advogado de Flávio. Segundo coluna no Brasil de Fato, Wassef participou em julho de 2026 do lançamento da candidatura presidencial de Flávio.[26][23]

Fato documentado

Adriano da Nóbrega

Ex-capitão do Bope apontado como chefe do Escritório do Crime. Flávio o homenageou na Alerj em 2003 e, em 2005, entregou-lhe a Medalha Tiradentes quando ele estava preso, acusado de homicídio. A mãe e a ex-mulher de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio. Segundo a denúncia do MP-RJ, mais de R$ 200 mil chegaram a Queiroz por meio delas e de empresas da família. As provas desse caso foram anuladas em 2021.[27][3][23]

Fato documentado

Major Ronald, condenado no caso Marielle

Em 2004, Flávio apresentou na Alerj uma moção de louvor ao major da PM Ronald Paulo Alves Pereira. Em fevereiro de 2026, o STF condenou Ronald a 56 anos de prisão por monitorar a rotina de Marielle Franco para os executores do crime.[28][3]

Fato documentado

Voto em Domingos Brazão

Em 2015, Flávio votou na Alerj a favor da nomeação de Domingos Brazão para o Tribunal de Contas do Estado. Em 2026, o STF condenou Domingos e Chiquinho Brazão a 76 anos de prisão como mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.[29][30]

Associação indireta

Emenda negociada com condenado

Mensagens obtidas pela PF mostram que, em 2023, um ex-assessor de Domingos Brazão, depois condenado no caso Marielle, negociou com uma assessora do gabinete de Flávio a liberação de uma emenda de cerca de R$ 200 mil para um instituto na zona oeste do Rio. Flávio não foi alvo de mandado.[31][3]

Segundo a fonte

527 homenagens a agentes de segurança

Levantamento da revista piauí, citado em coluna no Brasil de Fato, contou 495 moções e 32 medalhas concedidas por Flávio em quatro mandatos na Alerj. Ao menos 23 homenageados viraram réus ou foram condenados por crimes como homicídio, lavagem de dinheiro e organização criminosa.[23]

Associação indireta

Vizinhança com a fraude do INSS

A Bravo Grafeno, empresa que tem Flávio como sócio, está registrada na mesma sala em Brasília que empresas ligadas ao operador apontado pela PF na fraude do INSS, segundo o ICL Notícias. O contador dessas empresas, irmão da administradora do escritório de advocacia de Flávio, foi preso em dezembro de 2025. Flávio não é investigado nesse caso.[32][33][3]

Análise · opinião dos autores citados

O que está em jogo

Em artigo publicado no Intercept Brasil, Camila Rocha argumenta que o que mais assusta o eleitor indeciso é o vínculo histórico entre Flávio e as milícias do Rio, e que uma vitória dele, em meio à crise do Supremo, permitiria indicar ministros, libertar o pai e manter a família no poder por muito tempo, com alinhamento total a Donald Trump.[34]

No Brasil de Fato, o cientista político Benedito Tadeu César sustenta que os episódios não são casos isolados, mas um padrão de relações, e pergunta quem chegaria ao Planalto junto com Flávio. São opiniões dos autores, não conclusões da Justiça.[23]

Vá além

Outros projetos sobre o tema

Fontes

Índice de fontes

Os números entre colchetes ao longo da página apontam para esta lista. Os links abrem o material original.

  1. [1]
  2. [2]
  3. [3]
    Mapa de conexões: Flávio Bolsonaro
    Flávio em Fatos · 6 out 2026
  4. [4]
  5. [5]
  6. [6]
  7. [7]
  8. [8]
  9. [9]
  10. [10]
  11. [11]
  12. [12]
  13. [13]
  14. [14]
  15. [15]
  16. [16]
  17. [17]
  18. [18]
  19. [19]
  20. [20]
  21. [21]
  22. [22]
  23. [23]
    A rede do crime que agasalha Flávio Bolsonaro
    Brasil de Fato (coluna de Benedito Tadeu César) · 15 set 2026
  24. [24]
  25. [25]
  26. [26]
  27. [27]
  28. [28]
  29. [29]
  30. [30]
  31. [31]
  32. [32]
  33. [33]
  34. [34]
    Flávio Bolsonaro, milícias e o risco de um poder sem limites
    Intercept Brasil (artigo de Camila Rocha) · 3 out 2026